"Adiar o problema só contribui para o avolumar de dificuldades..."

Fases da Evolução da Crise nas Empresas

A crise começa com uma carência de financiamento próprio, devido a uma fraca rendibilidade, o que leva a empresa a contrair, de forma progressiva, dívidas e mais dívidas até que esgota todas as fontes de crédito normais.

 

A partir desse ponto tentará financiamentos de últimos recursos como a redução de ativos e o alargamento de prazos de financiamento a fornecedores, até que a situação fica insustentável.

 

Em traços gerais pode dizer-se que a evolução da crise nas empresas passa pelas seguintes fases:

 

 

Primeira Fase: Acontecimento Económico Desfavorável

 

Numa primeira fase podem identificar-se acontecimentos que afectam de alguma forma, entre outros, os seguintes indicadores económicos da empresa:

 

•         A taxa de crescimento de negócios;

 

•         A taxa de margem comercial;

 

•         A taxa de margem de contribuição e;

 

•         A taxa de rendibilidade operacional.

 

 

Segunda Fase: Tesouraria Líquida Negativa

 

Na segunda fase a deterioração continua a evoluir e a tesouraria líquida enquanto indicador do equilíbrio financeiro e de liquidez da empresa degrada-se.

 

Quando a tesouraria líquida atinge valores negativos a empresa tende a encontrar-se numa situação de desequilíbrio financeiro. Nestes casos deveria haver uma intervenção ao nível da estratégia de financiamento, seja por recurso a aumentos de capital seja por consolidação de passivos.

 

O problema é que na generalidade dos casos, a questão não é de ordem meramente financeira mas de origem económica.

 

Nesse caso a intervenção tem de se fazer a nível estratégico e operacional.

 

 

Terceira Fase: Falta de Liquidez

 

Na terceira fase surge a falta de liquidez. Essa situação ocorre quando o valor da tesouraria líquida atinge um certo montante negativo (dependendo da dimensão e do ciclo de exploração da empresa). Ao ter dificuldades em obter meios financeiros e em pagar atempadamente as dívidas, a empresa deixa de utilizar os descontos de pronto pagamento, atrasa involuntariamente os pagamentos aos fornecedores e tenta cobrar mais cedo dos clientes procurando fazer acordos para conseguir esses recebimentos antecipados. Nesta altura a empresa já se encontra impossibilitada de cumprir pontualmente as suas obrigações.

 

De facto, a empresa deve considerar a hipótese de um processo de recuperação, ou pelo menos, de contratar um especialista em gestão de crise.

 

 

Quarta Fase: Insuficiência de Fundo de Maneio

 

Na quarta fase o fundo de maneio enfraquece-se e torna-se negativo (com a tesouraria líquida negativa). Já não se pode falar em rupturas de tesouraria.

 

A falta de dinheiro para cumprir as obrigações financeiras são uma constante e os incumprimentos acumulam-se.

 

Um processo de recuperação extrajudicial torna-se imprescindível para evitar uma situação de insolvência

 

 

Quinta Fase: Insolvência Parcial

 

Na quinta fase a empresa entra em insolvência parcial.

Considerando a situação difícil em que a empresa se encontra nesta fase retirar-se-ía à definição jurídica de insolvência a palavra pontualmente.

 

De acordo com a definição jurídica, a empresa está insolvente quando por carência de meios próprios e por falta de crédito, se encontra impossibilitada de cumprir pontualmente as suas obrigações.

 

Nesta fase os atrasos de pagamentos generalizam-se a todos os credores. Para além dos Bancos e fornecedores, atrasam-se os pagamentos à Segurança Social, à Direcção-Geral do Tesouro e aos trabalhadores.

 

Liquidez significa, disponibilidade de dinheiro e possibilidade de o obter com facilidade de modo a fazer face aos compromissos financeiros que se irão vencer.

 

 

 

 

Sexta Fase: Insolvência Total ou Falência Técnica

 

Na sexta fase a empresa deixa de ter condições para poder pagar a totalidade da dívida. Esta situação financeira é designada por insolvência total.

 

Praticamente todos os ativos de valores estão onerados, tendo sido usados como garantia para os financiamentos bancários em dívida ou, entretanto, penhorados para pagamento de dívidas.

 

Nesta situação o valor do ativo é inferior ao valor do passivo ou seja, a empresa está tecnicamente falida.

 

 

 

Sétima Fase: Falência

 

Finalmente, na sétima e última fase a empresa é declarada falida. A falência é o estado jurídico da empresa insolvente e ocorre por sentença judicial. Inicia-se então o processo de liquidação dos ativos para ressarcimento dos créditos.

 

As opções de reestruturação e de orientação da empresa para uma situação de viabilidade é tanto mais difícil quanto mais adiantada for a fase de crise. É mais fácil implementar reestruturações empresariais quando as empresas ainda têm algum valor e apresentam alguma capacidade de resistência às contrariedades.

 

Daí que a reestruturação de empresas realizadas extra-judicialmente tenham uma taxa de sucesso maior do que as realizadas judicialmente.

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